17 de nov. de 2009
De grão em grão, café ganha espaço no mercado
O gosto dos brasileiros pelo cafezinho de todo dia pode elevar o País ao posto de maior consumidor mundial do produto em 2010. Na esteira desse apetite e da consolidação do hábito de se tomar café fora de casa, o número de cafeterias no Brasil deve crescer a uma média anual de 20% nos próximos anos. Até o fim deste ano serão três mil nos estabelecimentos, de acordo com o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de café (Abic), Nathan Herszkowicz.
O franchising responderá por parte dessa expansão, com mais de dez redes especializadas. Entre elas, estão empresas pioneiras, como o Frans café, com aproximadamente 120 lojas em operação, e estreantes, como café Jardim Espresso, que abrirá a primeira unidade na próxima sexta-feira, em São Paulo, e a curitibana recém-chegada ao franchising, Expréx Caffé.
A efervescência gera muitas oportunidades de negócios, mas o ramo requer atenção dos candidatos. O freqüentador das "butiques de café" quer conforto, mix variado de produtos, bom atendimento e acesso à internet sem fio no estabelecimento. Além disso, a concorrência é grande e crescente, incluindo cafeterias independentes e franquias como Casa do Pão de Queijo, Rei do Mate, McDonalds e Amor aos Pedaços, entre outras.
Extensão do escritório
"As cafeterias são cada vez mais a extensão do escritório ou da casa dos seus clientes. O conceito desse tipo de negócio mudou nos últimos anos, ampliando de forma significativa o perfil de consumidores", afirma Herszkowicz. "A melhora da qualidade dos grãos, com a oferta de cafés finos ou gourmets, é fator preponderante para atrair esse novo público", acrescenta.
"Esse é um negócio que exige do empreendedor uma postura ativa", observa o sócio-fundador da rede Frans café, José Henrique Ribeiro. Há 36 anos no mercado, 16 deles trabalhando com o sistema de franchising, a marca chegou a terceirizar a gestão da rede, mas os fundadores reassumiram a tarefa há quatro anos.
Butiques de café
Para marcar posição do rumo a seguir, Ribeiro abriu recentemente uma loja-conceito, em Moema, bairro da zona sul da capital paulista, bem ao estilo das butiques de café. "Para estar à frente você tem que ter paixão pelo negócio", diz o empresário. Ele prevê fechar 2008 com 145 lojas. Hoje opera com 124, tem 16 em fase de implantação e planeja chegar a 200 no fim de 2010. Já há alguns anos, o franqueador também é procurado por interessados na sociedade com a marca.
A loja tradicional da marca demanda, fora o ponto, investimento de R$ 300 mil. No caso do formato station, especial para condomínios, o capital é de cerca de R$ 110 mil. O faturamento varia de R$ 50 mil a R$ 60 mil, com lucro de 18% a 22%.
Na café Donuts, do grupo Nobel, a rentabilidade sobre o faturamento mensal das lojas varia de 15% a 20%, de acordo com o responsável pela área de operações da cafeteria, Alexandre Lima. A rede trabalha com os formatos de quiosque e loja, na rua ou em shoppings, que demandam de R$ 60 mil a R$ 190 mil de investimento, fora o ponto. As 32 unidades da marca estão concentradas no eixo Rio-São Paulo, mas a rede já iniciou expansão para outros estados, com meta de chegar a 50 unidades até o fim deste ano.
Nicho diferenciado
Outra bandeira que tem intenção de se expandir por todo o País é a Vanilla Caffè. Criada há dois anos, opera com 20 cafeterias e trabalha na instalação de outras 16 unidades. O projeto, segundo o sócio-fundador, Sérgio Freire, é fechar 2008 com 50 pontos e dobrar de tamanho em um período de cinco anos. A intenção de Freire é atuar em um nicho de mercado "diferenciado". A linha é a da norte-americana Starbucks Coffee, que opera com 11 lojas no Brasil, onde não está aberta à venda de franquias – pretende crescer com lojas próprias. Uma Vanilla Caffè requer R$ 243 mil em investimento, fora o custo do ponto, e gera, de acordo com Freire, faturamento mensal em torno de R$ 60 mil, com rentabilidade 18% a 22%.
A bandeira café do Ponto, sob o comando do grupo Sara Lee desde 1998, também busca expansão. As lojas (um total de 70, em 11 estados brasileiros), ganharam novo visual nos últimos anos, para se adaptar ao momento. A franquia custa cerca de R$ 135 mil, excluindo o ponto.
Estréia no Mercadão
A marca figurava sozinha, com atuação simultânea no varejo e com rede de cafeterias, caminho que a café Jardim Espresso começa a trilhar. A loja de estréia, no Mercado Municipal, ocupará espaço antes destinado à venda do café Jardim moído ou torrado. "Decidimos aderir ao franchising para dar visibilidade à marca e evitar um problema futuro de distribuição", afirma a gerente de Franquias, Maura Buonnano.
Na avaliação da empresa, a piora do trânsito inviabilizará a logística de abastecimento do varejo. Nessa situação, as franquias podem ser pontos de distribuição regionalizada. Diferentemente de outras redes, a proposta da café do Ponto não é ser uma butique de café. "Queremos oferecer o café puro", diz Maura. Os investimentos nos três modelos de franquia oferecidos vão de R$ 70 mil a R$ 150 mil.
Os formatos nesse segmento são muitos. O Pelé Arena café & Futebol, aberto em outubro de 2007 no centro de São Paulo, por exemplo, optou pela casa temática, tendo o Rei do futebol como referência. Uma segunda loja já foi aberta, no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos.
café temático
O diretor de franquias do Pelé Arena café & Futebol, Alfredo Monteiro, diz que a rede só não cresceu mais por falta de pontos. Mesmo assim, já há seis novos contratos, sem contar as cafeterias que serão inauguradas em agosto em Moema e em Ribeirão Preto. A capital paulista, diz, comporta mais 30 unidades, com custo de R$ 45 mil a R$ 80 mil. A catarinense Tostare café, criada em 2004, tem modelos com custo a partir de R$ 85 mil. Já a rede Grão Espresso tem hoje cerca de 140 lojas.
A Associação Brasileira da Indústria de café (Abic) lançou no ano passado o Círculo de café de Qualidade (CCQ), com dicas úteis para quem planeja abrir um empreendimento no ramo. Saiba mais em http://www.abic.com.br/prog_ccq.html
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