16 de dez. de 2009
Custo ameaça exportações de Santos
Líder brasileiro nas exportações de café, e ainda batendo recordes de embarques do produto, Santos corre o risco de perder parte de sua movimentação do grão para outros portos, especialmente Itaguaí (RJ). O alto custo operacional no maior complexo marítimo do País é o principal fator para a fuga da carga e já leva algumas das principais exportadoras da commodity a estudar alternativas mais vantajosas para as vendas da mercadoria ao exterior.
Apesar do aumento de 17% nas exportações de café pelo cais santista, no acumulado de janeiro a novembro deste ano, as dificuldades operacionais e os custos já começam a pesar na avaliação do mercado. Segundo o diretor-geral da Stockler Comercial e Exportadora, Michael Timm, que também preside a Associação Comercial de Santos, sua empresa vai decidir ainda neste ano sobre a migração de seus embarques de café, de Santos para Itaguaí (como Sepetiba é chamado hoje).
Para isso, falta a conclusão de um estudo interno, sobre as vantagens e as desvantagens da nova operação, e da negociação com operadores portuários fluminenses. Para empresas como Serranorte, Cambraia e Sumatra, os portos do Rio de Janeiro são uma opção forte para as exportações do café. "A princípio, nos parece que vai valer a pena exportar por Sepetiba. Se tiver disponibilidade de navios lá, pode ser que mandemos 100% dos nossos embarques", afirmou Timm, da Stockler, lembrando que os principais armadores já fazem escalas frequentes no cais de Itaguaí.
Por mês, a Stockler movimenta cerca de 500 contêineres com café em Santos. De acordo com o executivo, o porto fluminense tem duas importantes vantagens sobre Santos. Uma é o valor da THC (sigla de Terminal Handling Charges), espécie de taxa pela movimentação portuária, paga pela capatazia dos terminais. O outro é a agilização operacional nas instalações portuárias, que reflete na agilidade do transporte rodoviário.
O preço da THC parece acompanhar o Porto de Santos no seu tamanho. É 75% maior do que em Itaguaí, considerando apenas os menores preços. Proporcionalmente em volume de cargas, o cais paulista movimenta quase o dobro do que Sepetiba. Enquanto em Santos a THC varia de R$400,00 a R$550,00, em Itaguaí, a oscilação é de R$ 300,00 e R$ 360,00. Esses preços são cobrados por cada terminal.
Fonte: A Tribuna-Santos
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